terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O truque do ovo fresco


Uma vez que nos estamos a aproximar da Páscoa, vamos iniciar um conjunto de atividades nas quais os ovos vão ser a personagem principal.
A atividade de hoje é realizada em muitas cozinhas e é extremamente útil para perceber se podemos ou não utilizar o ovo que anda esquecido no frigorífico.

Ovo: flutua ou vai ao fundo?

Material
Ovos
Copo ou recipiente fundo
Água

Mãos-à-obra
Enche o copo com água suficiente para cobrir o ovo.
Coloca o ovo no copo.

Resultado
Se o ovo for ao fundo é fresco, se flutuar é porque já é velho (e é melhor não ser comido).

Explicação
Este é um truque fácil e que a ciência ajuda a explicar. Assim, primeiro é preciso espreitar o interior do ovo para perceber o que aconteceu.


Estrutura do interior do ovo
A casca do ovo, composta por carbonato de cálcio, apresenta pequeníssimos poros (cerca de 8mil) os quais deixam entrar o ar mas não permitem a saída de líquidos (estes poros são fundamentais para assegurar as trocas gasosas que permitem o crescimento do embrião). A clara corresponde a dois terços do volume total do ovo e é constituída maioritariamente por água. Esta água vai evaporando e assim, a câmara de ar que existe entre a casca e a clara vai sendo ocupada por mais ar. Uma vez que o ar é mais leve que a água, o ovo fica também mais leve e por isso deixa de ir ao fundo.

E agora um desafio: será que conseguem por um ovo, mesmo fresco, a flutuar?

Até lá, bons desafios ComCiência!


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A química das claras e uma receita


Nestes dias de chuva adoro colocar mãos-à-obra num laboratório improvisado: a cozinha! Assim, resolvi fazer uma nova experiência – uma mousse de alfarroba (um dos meus ingredientes favoritos e que considero injustamente esquecido e desaproveitado na nossa gastronomia).

Apesar de saborosa, a experiência terá de se repetida, uma vez que a mousse ficou muito aguada. Para explicar este resultado surgem-me duas hipóteses: ou a receita terá que ser reformulada ou, provavelmente, as claras terão ficado mal batidas. E aqui a ciência pode dar uma ajuda.

Quimicamente, as claras em castelo são consideradas espumas, ou seja, uma dispersão de bolhas de ar num líquido - a clara de ovo. 

 Cerca de 88% da clara é constituída por água (prova que me levou a concluir que as culpadas pela mousse ter ficado aguada foram as claras!). Aproximadamente 11% são proteínas e uma pequeníssima percentagem corresponde a açúcar e minerais. 
Ao bater as claras estamos a provocar uma mudança de conformação em algumas das proteínas, as quais deixam de estar enroladas sobre si próprias e esticam-se, permitindo assim a entrada de ar. Este ar fica depois aprisionado num emaranhado de fios proteicos, viscoso o suficiente para a espuma ficar estável.

Mudança da estrutura normal das proteínas. Este processo é conhecido por desnaturação.

O problema é que esta estabilidade é facilmente interrompida, por exemplo, pelo contacto com gordura ou com um pedacinho, aparentemente inofensivo, de gema (1/3 da gema é gordura) que possa ter caído nas claras. Isto porque, as moléculas de gordura dificultam a formação da rede em volta das bolhas de ar. Por esta razão, as claras devem ser batidas em taças de vidro e não em taças de plástico, do qual é mais difícil remover a gordura.
 
Uma outra explicação para as claras ficarem mal batidas pode também estar relacionada com a temperatura dos ovos. Se utilizarmos ovos saídos diretamente do frigorífico poderemos obter maus resultados. A baixas temperaturas, as proteínas possuem menor liberdade de movimento e assim ficam mais próximas umas das outras, pelo que se torna mais difícil o ar conseguir entrar na rede.
Para terminar, a atividade de hoje só podia ser uma receita. Esta devidamente testada e aprovada (a mousse de alfarroba terá ainda que ser sujeita a novos testes para posterior publicação aqui no blogue).

Até lá, bom fim-de-semana, ComCiência!

Bolo de claras e sumo de laranja

Ingredientes

125g de manteiga
225g de açúcar
1 colher de chá de fermento
Sumo de 1 laranja
8 claras
  
 Mãos-à-obra
Comece por bater a manteiga com o açúcar. 
De seguida, junte a farinha, o fermento e o sumo da laranja e misture bem.
Bata as claras em castelo firme e envolva no preparo anterior sem bater. 
Leve a forno médio (180ºC) numa forma, untada com margarina e polvilhada com farinha, durante aproximadamente 40 minutos.

Bom apetite